09/05/2015

Águas de Laboratório

09/05/2015 às 10:05:00

Com o avanço tecnológico, especialização crescente de laboratórios e a necessidade de realizar medições e experimentos químicos e biológicos cada vez mais exigentes, surgiu também a necessidade de utilização de uma água extremamente pura - e por consequência, surgiu o conceito da água ultrapura.

Classificação da água:
Como forma de qualificação da água, o mercado utiliza usualmente normas ISO, ASTM ou NCCLS (National Committee for Clinical Laboratory Standards), enquadrando-a em graus 1, 2 e 3, ou tipos 1, 2, 3 e 4. 


Pela bastante usada norma ISO 3696, a água grau 1 seria a de mais alta pureza, livre de coloides iônicos ou dissolvidos e de contaminantes orgânicos, apropriada para as técnicas analíticas mais sensíveis, incluindo aí cromatografia líquida, espectrometria de emissão por plasma (ICP-MS), cromatógrafo iônico, biologia molecular e eletroquímica. Para se conseguir esse padrão ultrapuro, com condutividade máxima de 0,1 µS/cm a 25ºC e conteúdo máximo de sílica de 0,01 mg/l, uma das “rotas”, partindo de uma água de grau 2, é usar mais de um passo de membranas de osmose reversa ou de deionização por troca iônica ou eletrodiálise (EDI), seguida de uma filtração em membranas de 0,2 µm para remover particulados ou sílica do equipamento de destilação.

A água de grau 2, também pela ISO, conta com níveis reduzidos de contaminantes orgânicos, inorgânicos e coloides, tornando-se indicada para métodos analíticos como a espectrofotometria de absorção atômica e a análise de traços. Uma múltipla destilação, a deionização ou a osmose reversa e a destilação podem produzir esse tipo de água de laboratório. A condutividade máxima para o tipo 2 é de 1 µs/cm a 25ºC e sílica de 0,02 mg/l. Já a grau 3 tem uso em grande parte das aplicações laboratoriais na química úmida e no preparo de reagentes e soluções. Sua produção pode ser por destilação simples, osmose reversa ou deionização por troca iônica.

A Elga/Veolia é uma das empresas do ramo da água ultrapura com o sistema PureLab.

Mais recentemente, o desenvolvimento dos equipamentos analíticos gerou uma nova qualificação de água nos laboratórios: a tipo 1+, que estaria à frente ainda das exigências da água grau 1. Sua necessidade veio principalmente de especificações de alta sensibilidade de espectrômetros de massas com plasma indutivamente acoplado (ICP-MS), de técnicas de biologia molecular (DNAse e RNAse) e de análises de ultratraços. “São análises para níveis baixíssimos de detecção, em partes por bilhão (ppb) e partes por trilhão (ppt), com detectores de massa de alta sensibilidade. A água precisa ser praticamente isenta de contaminantes”.

Água Milli-Q:
A água Milli-Q embora seja muitas vezes usada como sinônimo de água ultrapura, não é. Esse nome nada mais é que o produto de uma das empresas que trabalham com água ultrapura, a Merck Millipore (importante competidora da área). O que acontece neste caso é um estilo de metonímia, quando se utiliza uma marca para denominação de um produto.

Água da Osmose Reversa:
A definição de osmose  pode ser dada como deslocamento de solvente entre dois meios de solução com concentrações de solutos diferentes, separados por uma membrana semipermeável. Na osmose, o solvente se desloca do meio hipotônico (menos concentrado em soluto) no sentido do meio hipertônico (mais concentrado em soluto) e chega ao final do processo quando os dois meios encontram-se em equilíbrio de concentração. Este processo acontece em diversos meios naturais, inclusive nas células do corpo humano.

Um exemplo de osmose é o que acontece quando é jogado sal em uma lesma. Considerando o sal como soluto e a 'pele' da lesma como uma membrana semipermeável, a água do interior do animal vai se deslocar do meio hipotônico (menos concentrado em soluto - dentro da lesma), para o meio hipertônico (mais concentrado em soluto - fora da lesma), matando-a por uma espécie de desidratação.

A osmose reversa, como o próprio nome diz, acontece em sentido contrário ao da osmose. Nela, o solvente se desloca no sentido da solução mais concentrada para a menos concentrada, isolando-se assim, o soluto.


Como a osmose reversa é capaz de separar até íons da água, seu produto é considerado mais puro que a água destilada.

Água Destilada:
É a água obtida por meio da destilação (condensação do vapor de água obtido pela ebulição ou pela evaporação) de água não pura (que contém outras substâncias dissolvidas). É a água menos pura dos tipos apresentados aqui. Ainda assim, com um bastante aceitável grau de pureza para muitas atividades laboratoriais.

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Fontes: Química.com.brBrasil Escola e Mundo Educação
Lucas

Tem vinte e um anos de idade e é o idealizador e designer do Química Suprema. É entusiasta na área de Divulgação Científica com ênfase nas Ciências Químicas e Farmacêuticas. Possui noções de linguagens de programação, e entende de Design Gráfico e manuseio de programas de edição. Em 2013 cursou Licenciatura em Química e em 2014 resolveu trocar para o curso de Farmácia. Estuda na UFF.


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